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Para ler e pensar

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O Magem indica duas ótimas publicações online para leitura. A primeira dica é o artigo "Antifotojornalismo: trabalhar sem manual de instruções", publicado no blog Arte Photographica.

Antifotoperiodismo
© La Virreina Exposicions

“Creio que cada vez menos se dá liberdade ao fotojornalismo. É cada vez mais escravo dos pedidos – é preciso andar atrás de uma imagem que satisfaça a opinião dos leitores. Em muitos casos, o fotojornalismo converteu-se em mera ilustração, não por culpa dos fotógrafos, mas pelo tipo de exigências dos medias” [...] Hoje envia-se alguém a um local para trazer a imagem que, de antemão, queremos ver.”
(Carles Guerra - curador da exposição "Antifotojornalismo")

Clique aqui para acessar.

A outra indicação é a entrevista com o fotógrafo Luis González Palma publicada no site Fórum Virtual. Em conversa com Georgia Quintas, Palma problematiza os diálogos existentes entre a fotografia e a psicologia humana.

"Se iba apagando la luz en su mirada"
© Luis González Palma

"La frase “every proyect is a small failure, this is why we continue wirth another one” es de Samuel Beckett, algo que también afirma otro dramaturgo como es Harold Pinter. Yo simplemente entro en total resonancia con ese pensamiento. Como lo dije en mi anterior respuesta, los proyectos son formas de pensarme dentro del mundo, son reflexiones visuales que fracasan en algún momento, unas más rápidamente que otras; esto me obliga a volver a formularlas, a darles otra vuelta, y así sucesivamente voy trazando mi carrera. Pero no hay ansiedad en todo este proceso, pienso que el acto de crear es de una gran riqueza emocional y te inyecta una intensidad tan particular que es imposible abandonar. Estos procesos son también formas de crearme a mi mismo como persona."
(Luis González Palma)

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Fotojornalista Marizilda Cruppe fala sobre processo de edição

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Marizilda Cruppe
© Gustavo Pellizzon

A fotojornalista Marizilda Cruppe concedeu entrevista para o blog Olhavê, do jornalista Alexandre Belém, e falou sobre a sua participação no corpo de jurados do World Press Photo 2010.

Marizilda é considerada uma das mais atuantes fotojornalistas brasileiras e em seu portfólio apresenta um olhar bastante individual.

© Marizilda Cruppe

Quando perguntada sobre qual dica ela daria aos fotógrafos brasileiros que adoram encarar os concursos, respondeu o seguinte:

"Uma dica é pedir a ajuda de um ou mais amigos para editar as fotos. É preciso desapegar-se para editar bem. Muitas vezes gostamos de uma foto porque ela nos remete a uma boa lembrança do momento do clique, mas ela não acrescenta nada à história. Menos é mais. Não esquecer disso nunca. Outra dica é enviar, no mínimo oito fotos para uma história. Duas fotos não contam uma história e doze fotos pode ser um número exagerado, se a história for mal editada. As projeções não são lentas e é preciso dar tempo aos jurados de entenderem a história que o fotógrafo quer contar, de conhecerem um pouco o seu estilo de fotografar etc. Falo mais em histórias do que em singles porque pode ser mais difícil editar uma história do que escolher uma foto única para inscrever no prêmio. E também porque uma boa foto pode ser pinçada de uma história não tão boa. O concurso abre essa possibilidade, como também abre a possibilidade de remanejar uma foto/história de categoria, caso o fotógrafo tenha inscrito em categoria errada. Outra dica que posso dar é para os fotógrafos darem mais atenção à categoria “Daily Life”. Tudo cabe nesta categoria. O que não seria “Daily Life”? Vivemos um tempo em que os leitores se interessam mais pelo que está próximo da realidade deles do que o que está distante. E o conceito de proximidade/distância a que me refiro não é geográfico. Sinto que as pessoas têm se importado mais com o que parece mais próximo de suas vidas. O desafio está em encontrar temas locais que tenham uma mensagem global. Um entendimento universal, portanto. A dica final é sobre o Photoshop. Entre os meus colegas de júri houve uma rejeição coletiva aos exageros do Photoshop. Nada combinado previamente, mas uma coincidência de opiniões. Nada contra as ferramentas de “laboratório” do Photoshop, mas situações irreais de luz e cor que alteram a realidade de uma maneira que nada acrescenta ao trabalho. Manipulação, nem pensar. As regras são rígidas e seguidas à risca. Veja o exemplo da história desqualificada por manipulação no concurso deste ano."

Leia a entrevista completa aqui.

Evandro Teixeira fala sobre o direito autoral do fotógrafo

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© Foto de Evandro Teixeira. Célebre imagem indevidamente manipulada para uma propaganda

A foto é histórica. Um estudante caindo. Policias reprimindo com cassetete. Ditadura Militar. De repente, censura e repressão viraram campo de futebol. Um clássico: Flamengo e Vasco.

A foto adulterada, de autoria do fotojornalista Evandro Teixeira, ilustrou uma campanha publicitária do Sistema Jangadeiro de Comunicação de Fortaleza para comemorar o Dia da Imprensa. O anúncio dizia: “Seria muito fácil manipular os fatos se não existisse a imprensa”. O fotojornalista afirma que não foi comunicado sobre a utilização de sua imagem e que está movendo um processo contra a empresa.

A fotografia é considerada uma obra intelectual e como tal, está protegida pelo art. 7º, inc. VII da Lei nº 9.610, de 19 de Fevereiro de 1998. Entretanto, a Lei do Direito Autoral ainda é pouco conhecida e aplicada no dia a dia dos fotógrafos brasileiros. São muitas as infrações praticadas sem que quase nada aconteça com quem as comete.

Em entrevista concedida ao MAGEM, Evandro Teixeira fala da manipulação e “apropriação” de fotografias e afirma que essa prática “é mais do que uma falta de respeito à cultura.”

MAGEM Recentemente uma foto sua foi manipulada sem seu conhecimento e autorização, essa é uma prática, digamos, comum no Brasil. A que o senhor atribui a violação do direito autoral do fotógrafo no país?

EVANDRO TEIXEIRA Isso é uma prática infelizmente adotada há muito tempo. Minha atribuição é mais do que uma falta de respeito à cultura. O brasileiro é um povo com um enorme potencial criativo e conta com reconhecimento da sociedade, que valoriza a nossa música, dança e também a fotografia. Sou chamado constantemente pela moçada de faculdades que querem resgatar em seus trabalhos momentos históricos do Brasil através de minhas fotos. Por isso, acredito que isso seja falta de ética de quem viola o direito autoral de um artista.

MAGEM Como o senhor vê a “apropriação” de fotografias, considerando principalmente a internet e todas as mudanças que ela ajudou a programar. Seria uma tendência de mercado?

EVANDRO TEIXEIRA A internet é fascinante por permitir a multiplicação de conhecimento em frações de segundos por qualquer um, em qualquer parte do mundo. Não podemos culpar o fenômeno da internet e sim quem a utiliza para práticas indevidas.

MAGEM A legislação brasileira relativa às propriedades intelectuais é a mais rigorosa do mundo. Entretanto, para a cultura nacional a sensação de estar dispondo de uma propriedade alheia quase não faz sentido. Qual seria a solução para, se não terminar, amenizar esse impasse?

EVANDRO TEIXEIRA Não sei dizer... As mudanças de comportamento, de cultura de uma sociedade leva tempo. Quem sabe estamos chegando próximo desta mudança de conceito?

Fernando Rabelo no MAGEM

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Fernando Rabelo, mineiro, dono de um vasto currículo, despertou para fotografia na França, durante o exílio do pai. Fez curso de fotografia em Paris e iniciou sua carreira captando flagrantes do cotidiano da cidade luz. Trabalhou durante doze anos como fotógrafo do Jornal do Brasil e depois como editor de fotografia. Além de ter atuado nos jornais Folha de São Paulo e O Globo. Nos anos de 2005 e 2006, Rabelo realizou o ensaio fotográfico “Imagens de um Flâneur Brasileiro em Paris”. Retratou a Musica Popular Brasileira na década de 90. Em 2000 editou o livro "Tributo à Lagoa", uma coletânea de imagens de sua autoria sobre a Lagoa Rodrigo de Freitas no Rio de Janeiro.

Nessa entrevista concedida ao MAGEM, Rabelo conta sua história, opina e fala da restrição do mercado de trabalho para o fotojornalista decorrente do surgimento da fotografia digital. Segundo Rabelo, ”as redações vão manter um quadro mínimo de fotógrafos, provocando uma enorme onda de desemprego”.

Imagens de um Flâneur Brasileiro em Paris
© Fernando Rabelo

MAGEM Como surgiu seu interesse por fotografia?

FERNANDO RABELO O meu interesse pela fotografia surgiu na juventude, ainda adolescente ganhei uma câmera dos meus pais. Aos quatorze anos já havia decidido seguir a carreira de fotógrafo. Além disso, o primeiro contato com o jornalismo foi dentro de casa na figura do meu pai, José Maria Rabelo, que fundou o jornal Binômio, em Belo Horizonte. Mas estes não foram os únicos fatores que influenciaram a minha escolha.

MAGEM O contexto político e social da época em que o senhor iniciou como fotógrafo exerceu alguma influência?

FERNANDO RABELO Fui testemunha ocular de alguns fatos importantes da História recente quando, na época em que o meu pai foi exilado, no Chile, presenciei a vitória de Salvador Allende e o golpe militar que o derrubou em 1973. Era um adolescente de 11 anos e assisti, de cima do telhado da casa onde morava, o bombardeio do Palácio de La Moneda, onde morreu o Presidente chileno. Essas e outras imagens, que estão registradas até hoje na película do meu cérebro, me influenciaram profundamente na vontade de denunciar através da imagem o que eu considerava errado em nossa sociedade.

MAGEM O senhor morou durante alguns anos e cursou fotografia em Paris, considerada a “capital da fotografia mundial”. Qual a representatividade da cidade francesa em seu trabalho?

FERNANDO RABELO Depois do golpe militar no Chile, eu e a minha família nos mudamos para Paris. Tinha 14 anos e ganhei uma câmera fotográfica dos meus pais. Ali comecei fotografando a cidade luz em preto em branco, as passeatas estudantis, o despejo dos últimos moradores de uma favela em Massy, nos arredores de Paris, etc...

MAGEM Como surgiu a idéia de fotografar Paris como um “flâneur"?

FERNANDO RABELO Essa história começou em 2005, quando exercia o cargo de editor de fotografia do Jornal do Brasil. A minha mulher, que é jornalista, conseguiu uma bolsa de estudos de um ano na França para concluir seu doutorado em Letras. Aceitei o desafio, pedi demissão do JB e fui com mulher e filho morar na França, pela segunda vez. Aproveitei o meu tempo e percorri a cidade como um "flâneur", desvendando becos, ruas, igrejas, pontes e personagens de uma Paris popular e cosmopolita. O termo flâneur se refere àquele que caminha tranqüilamente pelas ruas, observando cada detalhe, sem ser notado, sem se inserir na paisagem.

Imagens de um Flâneur Brasileiro em Paris
© Fernando Rabelo

MAGEM Como foi essa experiência depois de mais de 20 anos atuando no fotojornalismo, no qual o tempo é elemento fundamental?

FERNANDO RABELO Como flâneur, pude não só retratar Paris a partir de ângulos inusitados, como experimentar outra relação entre o tempo e a imagem fotográfica, houve momentos em que passava o dia flanando e voltava para casa sem nenhuma imagem. No dia seguinte, eu retornava aos mesmos lugares e realizava as fotografias, onde eu podia esperar pacientemente o melhor momento, a melhor luz, o instante mágico. Para mim, a possibilidade de fotografar sem tempo determinado foi um fator decisivo no resultado do trabalho.

MAGEM Como o senhor analisa a prática do fotojornalismo hoje?

FERNANDO RABELO Vivemos numa sociedade saturada de imagens, onde qualquer leitor de jornal torna-se um fornecedor de imagens. Essa prática é incentivada por quase todos os periódicos do mundo. Se um edifício pegar fogo, em poucos minutos os jornais passam receber dezenas de imagens de fotógrafos amadores munidos de câmeras digitais e celulares. O assessor de imprensa, que até alguns anos atrás contratava fotógrafos para a cobertura de um evento, carrega uma câmera e ele mesmo fotografa e envia para as colunas sociais. Os repórteres de vários sites escrevem a matéria e fotografam também. Quando ingressei no JB em 93, éramos 40 fotógrafos. Em 2005 restaram apenas sete. Sem falar das agências que inundam o mercado editorial com imagens a preços não competitivos para os fotógrafos. O mercado de trabalho para o fotojornalista está sucumbindo ao surgimento da fotografia digital.

MAGEM O senhor acredita que a fotografia digital é o fim do fotojornalismo?

FERNANDO RABELO Eu não acredito que a fotografia digital provoque o fim do fotojornalismo. O mercado de trabalho para fotojornalistas é que está chegando ao fim. As redações vão manter um quadro mínimo de fotógrafos, provocando uma enorme onda de desemprego. O fotojornalista terá que se adaptar a essas novas condições, inclusive procurando outras formas de subsistência.

MAGEM Recentemente, uma fotografia de Evandro Teixeira foi veiculada e manipulada sem autorização do mesmo. Como o senhor avalia a preservação dos direitos autorais no Brasil?

FERNANDO RABELO A questão dos direitos autorais é um problema muito sério, sobretudo na Internet. É impressionante a quantidade de fotografias que circulam na web sem a devida creditação. É hora de agirmos de alguma maneira.

MAGEM Qual foto de sua autoria considera mais importante?

FERNANDO RABELO Essa é uma resposta difícil para um fotógrafo responder...

MAGEM Em que projeto o senhor está trabalhando atualmente?

FERNANDO RABELO Estou concluindo um projeto que será exibido no Oi Futuro, no Rio, em dezembro. Por enquanto só posso afirmar isso.

Entrevista | Mariana David

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Mariana David
© Jonas Grebler

O MAGEM conheceu Mariana David na segunda edição dos Salões Regionais de Artes Visuais da Bahia, em Juazeiro/BA. A jovem artista visual contou um pouco de sua história e falou de fotografia para o Blog.

Curriculum fornecido pela fotógrafa:

Mariana David, 26 anos, graduou-se em Direito, estudou Antropologia e largou tudo para se dedicar à Fotografia. Hoje, trabalha profissionalmente como fotógrafa há cerca de um ano. Neste tempo, participou de algumas exposições em Salvador, juntamente com outros jovens fotógrafos baianos e realizou uma exposição individual: "Olha-se de novo, Olha-se!". A mostra aconteceu na Galeria Pierre Verger como fruto de um edital realizado pela Fundação Cultural do Estado da Bahia. Em 2009, foi selecionada para expor no Salão Regional de Artes Visuais da Bahia, em Juazeiro/BA, com o trabalho "Mergulho", que também foi contemplado com o Prêmio Fundação Cultural do Estado da Bahia. Além de realizar seus trabalhos autorais, Mariana David fotografa espetáculos de dança e teatro, editoriais de moda e stills para cinema. Atualmente, vive e trabalha em Salvador/BA.

Mergulho
© Mariana David

MAGEM: Como você começou na fotografia?

MARIANA DAVID: Venho de uma família que gosta muito de registrar todos os eventos familiares. Cresci cercada por álbuns de fotografia e tendo que fazer pose para as câmeras. Desde pequena, sempre levava minha máquina para a escola e para as viagens com os amigos. Eu era a "fotógrafa" oficial da turma. Sempre gostei muito de arte e ir à exposições de fotografia sempre foi um prazer imenso. Meu primeiro contato com um trabalho profundo de fotografia foi com o do Pierre Verger, numa das muitas exposições dele aqui em Salvador. Fiquei encantada com a possibilidade de registrar lugares desconhecidos, modos de vida tão diferentes do meu, que, para mim, se encaixa muito bem com a fotografia. Então, em 2006, comprei uma Nikon analógica com uma 50mm e comecei a fotografar tudo: os amigos, os amores, a cidade, pirações minhas, minha família. Sempre tive muitas dúvidas sobre qual seria o meu caminho no mundo e costumo dizer que não escolhi a fotografia, ela me escolheu e tornou-se inevitável ser outra coisa além de fotógrafa.

Jiquiriçá Azul
© Mariana David

MAGEM: Quais as suas influências dentro da arte fotográfica?

MARIANA DAVID: Mudam a todo momento. Tem os clássicos que, para mim, são fundamentais para entender a fotografia: Ansel Adams, Richard Avedon, Diane Arbus, Andre Kertesz. Gosto muito da ousadia do Man Ray e da coragem de Nan Goldin. Adoro o Jan Saudek, que assume a fotografia como arte. Atualmente, estou encantada com o trabalho do Antoine D´Agata, que é um fotógrafo da Magnum que realiza um trabalho super intenso. No Brasil, gosto muito do trabalho do Luiz Braga, do pessoal de Minas - Pedro David e João Castilho; da Bahia curto o trabalho do Mário Cravo Neto, Jonas Grebler e Valéria Simões. Gosto do Eustáquio Neves, que tem um trabalho lindíssimo com fotomontagens. Tem muita gente boa pelo mundo, produzindo fotos maravilhosas.

Jiquiriçá Azul
© Mariana David

MAGEM: Qual a sua maior dificuldade na edição de um trabalho?

MARIANA DAVID: Editar é uma arte, já dizia um amigo meu. Uma boa edição exige um bom conhecimento de sua obra, muito estudo, é necessario ver muitas e muitas fotos, para compreender que toda fotografia expressa uma idéia, uma visão, um sentimento. A grande dificuldade, que eu acho, é a de reunir um número suficiente de fotos, de um determinado tema, que consigam transmitir com uma grande intensidade o que o fotógrafo quer contar ao mundo. Alcançar essa intensidade e profundidade é o mais difícil e desafiador.

She came in through the bathroom window
© Mariana David

MAGEM: Photoshop, como você avalia a manipulação digital?

MARIANA DAVID: Manipulação de imagem e fotografia sempre caminharam juntas. A fotografia começou com muitas experiências dentro do quarto escuro. Desde o início, os fotógrafos alteravam as suas imagens no processo de revelação, seja expondo uma determinada área mais à luz, ou escurecendo uma parte da foto. Muitos fotógrafos geniais fizeram manipulações nas suas imagens, como o Jerry Uelsmann (que realizou fotomontagens belíssimas), o Jan Saudek (que coloria manualmente as suas fotos) e o Eustáquio Neves. Não sou contra o Photoshop: ele funciona como um laboratório de revelação virtual e serve à diferentes propósitos.

She came in through the bathroom window
© Mariana David

MAGEM: Uma frase?

MARIANA DAVID: Quero citar uma frase que traduz muito o que sinto nesse momento: "Não é o modo como um fotógrafo olha para o mundo que é importante e sim a relação íntima que estabelece com ele." - Antoine D´Agata.

© Mariana David

Outras imagens, através da galeria virtual da artista no Flickr.

Repassando...

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O blog Olha, Vê, do fotojornalista Alexandre Belém, publicou nesta segunda-feira uma entrevista que vale a pena conferir.

Eder Chiodetto
© Alcir Silva

Entrevistando | Eder Chiodetto

EDER CHIODETTO [...] a função do repórter-fotográfico nas redações. Cada vez mais burocrática, mais sem espaço para publicar reportagens fotográficas, menos viagens, mais retratos de celebridades e menos fotografia que revela os bastidores do país, mais fotos de assessorias, cada vez menos jornal e mais publicidade. Tem alguém aí para negar tudo isso?

E eu sou bicho fotógrafo. Adoro reportagem, adoro jornal. E por gostar é que sou obrigado a ver como as coisas estão se encaminhando e criticar. Mas também acho que toda crise é positiva. Estamos vivendo um momento de mudança de paradigmas. Esse velho modelo morreu. Os espaços são outros, os fotógrafos serão outros. Há vida inteligente nos blogs cada vez mais e nas redações cada vez menos. Vai sobreviver o fotógrafo que tiver autonomia cultural, idéias, histórias para contar. Até porque as fotos de grande impacto, dos acidentes, das enchentes, das catástrofes e de tudo que acontece sem estar agendado, é privilégio do taxista, do motoboy, da dona de casa, do açougueiro, de quem estiver com o celular mais perto da cena. Fotógrafo de jornal só faz agenda, pauta fria.

Que sentido tem então ficar dentro de uma redação esperando alguém para dizer qual é a história que você tem que fotografar? Enfim, só vai sobreviver neste mercado quem conseguir se diferenciar da massa. E fotógrafos profissionais não devem mais pensar como fotojornalistas, mas sim como fotodocumentaristas. Reflexão, profundidade, conhecimento, please!!!!!! Foto bonita, foto espetacular, foto de furo no dia a dia, creiam, todos os amadores estão fazendo o tempo todo. Essa nova leva de fotógrafos mais bem formados que começa a cavar novos espaços com determinação e talento, logo constituirão grupos, coletivos, serão patrocinados e será através deles que a fotografia vai voltar a ser, na mídia, a linguagem que dá as cartas, que pauta, que emociona, informa, humaniza [...]

Confira a entrevista completa no link http://www.olhave.com.br/blog/?p=3099.

A voz da experiência

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Evandro Teixeira
© Flávio Ciro

No dia mundial da fotografia, o fotojornalista Evandro Teixeira marcou presença no MAGEM e contribuiu com algumas sábias palavras:

Sobre a fotografia...

[Evandro Teixeira] A fotografia, representa uma forma de entender o mundo, de se relacionar com a vida. Também, de mostrar as suas realidades, ou mostrar a realidade do mundo, de maneira visual.

Imagem que mais impressiona...

[Evandro Teixeira] Miliciano morto na Guerra Espanhola, de Robert Capa.

Essência do fotojornalismo...

[Evandro Teixeira] Estamos sempre, sempre evoluindo em relação a tecnologia. Antigamente, para transmitir uma foto, levávamos 30 minutos. Hoje, é imediato. Na sua essência, o fotojornalismo, não mudou. O importante, ainda é, contar e mostrar a sua realidade.

Entrevista com o fotógrafo-filósofo Marcos Cesário

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"Minha busca é pelos valores"

Por Louise Farias
Fotos: Emerson Rocha

O fotógrafo–filósofo Marcos Cesário conta um pouco da experiência e dos conhecimentos obtidos durante a produção das fotos da exposição “Enquadrados”, no Conjunto Penal de Juazeiro durante o primeiro Semestre desse ano. Cesário revela a troca e as redescobertas que houve entre ele e os internos durante os cinco dias em que esteve em contato direto com os presos.




Louise Farias - Como você definiria a Exposição “ENQUADRADOS”?

Marcos Cesário - Um auto-retrato. Uma fotógrafa norte americana diz que todo retrato é um auto-retrato, então essa exposição é uma forma de me retratar. Não consigo ver diferença em qualquer outro trabalho que eu tenha feito. Eu, Emiliana Carvalho e Maisa Antunes entramos lá para nos rever neles. Então pra mim é muito tranquilo a identificação. Me vejo neles, é uma forma de me retratar . Por um acaso eles tiveram um pouco menos de sorte que eu; por enquanto.


LF - O que te levou a escolher essa temática?

MC - O filósofo do meu coração é Oscar Wilde e há uns cinco anos, em contato com um livro dele, me deparei com um fragmento que me chamou muito atenção e dizia: “dentro de nós o tempo não prospera, regressa”. Conversando com Maisa, eu vi que o Conjunto Penal de Juazeiro poderia ser uma concretização desse desejo. A idéia é tentar mostrar com os retratos e com o curta-metragem essa humanidade e essa linha imaginária e estéril.




LF - Como artista qual o seu olhar sobre o público retratado? Sua visão mudou no decorrer do trabalho?

MC - Não, porque eu tento me munir muito pouco de princípios, minha busca é pelos valores. Oscar Wilde disse: “eu prefiro muito mais as pessoas a seus princípios”. Os princípios criam uma barreira e a gente acha um dentro e um fora, quando na verdade você deve buscar os valores e não os princípios adentro. Com a execução desse trabalho eu criei novas relações, e, é claro, a minha dimensão e o meu olhar se apurou muito mais, mas não radicalmente porque nós não entramos lá com nenhum preconceito. Até porque lá dentro tem reflexo de tudo aqui fora e vice-versa.


LF - Que tipo de intervenção o público retratado teve na construção dessa obra? Qual foi a contribuição dos internos?

MC - Foi completa, é um retrato e um auto-retrato. Então a troca de sentimentos e de redescobertas juntos foi o ganho maior. Agora existe uma intervenção deles que é quanto à moldura, foi uma produção deles, que é também uma forma de enquadrar o fotógrafo. Cada uma tem a sua personalidade na moldura, é uma forma deles dizerem: “olha só, nós temos nossa forma, nosso gosto, nosso enquadramento”. A contribuição maior foi sem dúvidas a de viver com eles cinco dias, na sela, comendo com eles, sonhando com eles e chorando com eles. E isso aconteceu de fato. Isso é um trabalho documental, é uma forma de investigação íntima, nós nos encontramos lá dentro, essa é a maior contribuição como homem, como mulher e ser humano.