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Para ler e pensar

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O Magem indica duas ótimas publicações online para leitura. A primeira dica é o artigo "Antifotojornalismo: trabalhar sem manual de instruções", publicado no blog Arte Photographica.

Antifotoperiodismo
© La Virreina Exposicions

“Creio que cada vez menos se dá liberdade ao fotojornalismo. É cada vez mais escravo dos pedidos – é preciso andar atrás de uma imagem que satisfaça a opinião dos leitores. Em muitos casos, o fotojornalismo converteu-se em mera ilustração, não por culpa dos fotógrafos, mas pelo tipo de exigências dos medias” [...] Hoje envia-se alguém a um local para trazer a imagem que, de antemão, queremos ver.”
(Carles Guerra - curador da exposição "Antifotojornalismo")

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A outra indicação é a entrevista com o fotógrafo Luis González Palma publicada no site Fórum Virtual. Em conversa com Georgia Quintas, Palma problematiza os diálogos existentes entre a fotografia e a psicologia humana.

"Se iba apagando la luz en su mirada"
© Luis González Palma

"La frase “every proyect is a small failure, this is why we continue wirth another one” es de Samuel Beckett, algo que también afirma otro dramaturgo como es Harold Pinter. Yo simplemente entro en total resonancia con ese pensamiento. Como lo dije en mi anterior respuesta, los proyectos son formas de pensarme dentro del mundo, son reflexiones visuales que fracasan en algún momento, unas más rápidamente que otras; esto me obliga a volver a formularlas, a darles otra vuelta, y así sucesivamente voy trazando mi carrera. Pero no hay ansiedad en todo este proceso, pienso que el acto de crear es de una gran riqueza emocional y te inyecta una intensidad tan particular que es imposible abandonar. Estos procesos son también formas de crearme a mi mismo como persona."
(Luis González Palma)

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MACROFOTOGRAFIA: passo-a-passo VI

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Por Francisco LOPES Filho

© Lopes

Fundo

É aconselhável preencher todo o quadro do visor com o assunto a ser fotografado para evitar que sobre espaço na foto e apareçam outros detalhes. Se o fundo for muito disperso e estiver atrapalhando, recomenda-se utilizar um fundo neutro como, por exemplo, uma folha de cartolina colocada atrás do objeto a ser fotografado.

Estas informações da série MACROFOTOGRAFIA não esgotam o assunto. Outros detalhes podem ser obtidos em livros, revistas e sites que tratam quase que somente de macrofotografia.

Contato: lopesfilho42@uol.com.br / clubedafotografiapetrolina@gmail.com

MACROFOTOGRAFIA: passo-a-passo V

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Por Francisco LOPES Filho

© Lopes

Profundidade de campo

Em macrofotografia a profundidade de campo é muito importante e depende da objetiva e do grau de ampliação do assunto a ser fotografado. Quanto maior a aproximação, menor é a profundidade de campo. Um dos “macetes” é utilizar diafragmas bem fechados (f/16, f/22 ou f/32).

Contato: lopesfilho42@uol.com.br / clubedafotografiapetrolina@gmail.com

MACROFOTOGRAFIA: passo-a-passo IV

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Por Francisco LOPES Filho

© Lopes

A focalização

Para focalizar, o método mais eficiente é por aproximação em relação ao assunto. No início, dá um pouco de trabalho encontrar o foco. Uma mesa “estativa”, um tripé ou monopé facilitam a focagem, pois mantêm a câmera imóvel. Quando se utiliza uma mesa “estativa” é bom usar um cabo disparador para evitar movimentar a câmera quando se aperta o disparador.

Com a câmera na mão, quando se deseja fotografar insetos vivos no campo, é aconselhável usar um flash comum ou um ring-flash que fornece uma iluminação uniforme à curta distância sem produzir sombras.

© Lopes

Contato: lopesfilho42@uol.com.br / clubedafotografiapetrolina@gmail.com

MACROFOTOGRAFIA: passo-a-passo III

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Por Francisco LOPES Filho

© Lopes

O filme (com câmeras analógicas)

Para aqueles que ainda usam filmes, um dos mais adequados para fazer macrofotografia é o cromo (slide) de baixa a média sensibilidade, como por exemplo, o de ISO 64 e ISO 100. Filmes negativos também podem ser usados e são até mais baratos que o cromo. A sensibilidade destes filmes também deve ser baixa, pois dá melhor contraste e nitidez à imagem. Isso, no entanto, não invalida o uso de filmes de maior sensibilidade como os de ISO 200 ou de ISO 400, mas normalmente apresentam granulação na fotografia ao ser ampliada.

© Lopes

Contato: lopesfilho42@uol.com.br / clubedafotografiapetrolina@gmail.com

MACROFOTOGRAFIA: passo-a-passo II

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Por Francisco LOPES Filho

© Lopes

A câmera

A câmera mais recomendável para se fazer macrofotos é a reflex, pois este tipo de câmera permite trocar as lentes e usar a objetiva macro ou uma lente close-up (de aproximação). Esta última, por sinal, é muito utilizada por fotógrafos iniciantes e por aqueles que têm poder aquisitivo mais baixo. Câmeras digitais também podem ser usadas para se fazer macrofotos. É só colocar no modo macro.

© Lopes

Contato: lopesfilho42@uol.com.br / clubedafotografiapetrolina@gmail.com

MACROFOTOGRAFIA: passo-a-passo I

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Por Francisco LOPES Filho

© Lopes

Muitos fotógrafos não gostam de fotografar somente o que os outros normalmente enxergam no dia-a-dia. Vão além, na busca de detalhes, procurando compor com formas e cores, imagens que escapam da maneira convencional de observação e interpretação. E a macrofotografia é uma prática ideal para desvendar esse maravilhoso mundo que é a fotografia de aproximação.

A macrofotografia é, portanto, a técnica de fotografar à curta distância, ampliando o assunto com o auxílio de equipamentos fabricados especialmente para essa finalidade, como lentes close-up, tubos e foles de extensão e as famosas objetivas “macro”, cujo poder de aproximação alcança em certos casos, a taxa de 1:1, o que significa dizer que obteríamos uma imagem de tamanho igual ao do objeto fotografado.

© Lopes

Contato: lopesfilho42@uol.com.br / clubedafotografiapetrolina@gmail.com

Uma resposta a oferecer

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As inquietudes do fotojornalista André Teixeira, reveladas por ele em um artigo publicado na edição de março de 2008 da revista bimestral Photo Magazine, resumem os dilemas éticos que apenas os profissionais que fazem do registro da imagem de um fato – ou antes, realizam o recorte fotográfico à espera de um sentido que lhe será atribuído, em geral posteriormente, na redação – vivem cotidianamente.

Em resumo, são elas: quando fotografar e quando abaixar a câmera? Como portar-se diante do sofrimento alheio? Como o fotojornalista se sentiria, caso fosse a sua dor perante uma tragédia o alvo do registro fotográfico? Por tabela, entra a questão: o que ele deve fazer quando deparar com uma pessoa cuja vida corra risco? Esquecer o disparador da câmera e a distancia segura, que beira a um ato de voyeurismo? Ou protagonizar o fato, e até salvar a vida de alguém? Tais questões não são das mais fáceis, mas enquanto profissional do jornalismo, reflete Teixeira, fazer as fotos é a atitude correta, embora ele insista em sua inquietação e considere o problema do "fotografar ou não" um enigma sem resposta.

Defendo a valorização do olhar do fotojornalista, e do fotógrafo de maneira geral, este, sim, o responsável pelo produto final, a foto, resultado possível de ser obtido, às vezes com qualidade comparável, tanto com uma tosca câmara escura quanto em uma câmera digital último tipo. E também é preciso dizer: o fotojornalista está sujeito a pressões que apenas aqueles que compartilham a profissão conhecem de fato, algo como um "sortilégio" atirado sob quem se inicia no fotojornalismo; enquanto imaginamos tantas outras atividades profissionais onde a ética pessoal é posta à prova a cada instante, nem fazemos idéia que tal possa ocorrer com o geralmente afobado profissional munido de câmeras e objetivas que cruze nossos caminhos.

Julgar uma fotografia é uma atitude subjetiva. Portanto, cogitar as reações que provocará é um exercício cuja certeza é impossível determinar. O conteúdo dessa foto pode ter efeito diverso, a depender da sensibilidade da pessoa que a vê, ou falando racionalmente, da bagagem cultural que ela carrega e suas vivências individuais. Para exemplificar, no meu caso, uma foto-retrato de uma criança, dessas tiradas em dia ensolarado, onde o sorriso da criança consegue ser mais natural do que normalmente o é, ilustrando sua trágica morte, picada por um escorpião – consegue ter um efeito devastador sobre mim.

Da mesma maneira, não esqueci de uma foto, ilustrativa de uma entre tantas limpezas étnicas cometidas durante a guerra da Bósnia. Entre as vítimas que apareciam na cena, uma menina pequena, ainda com as roupas de frio com as quais certamente a mãe a vestiu cuidadosamente antes que a brutalidade da guerra pusesse o ponto final em suas vidas. E o que tornava a foto ainda mais chocante para mim... a chupeta, ao lado do corpo, presa por uma correntinha. Uma imagem da qual nunca mais me livrarei, que carrego comigo e da qual ocasionalmente lembro.

Jamais culparia o fotógrafo que a fez, nem o acusaria de ser um monstro de insensibilidade, da mesma maneira que jamais culparia o fotojornalista que registrou o massacre de My Lay – outra foto que carregarei até o fim. Se aos olhos do próprio fotojornalista, ao menos daqueles que pensam criticamente sobre o ato fotográfico, como Teixeira, fotografar o instante do trágico possa significar uma ofensa à dignidade da vítima ou a de seus familiares, por menos explícita que a fotografia seja (porque a intensidade do seu impacto dependerá da subjetividade de cada um), ele deve pensar que o seu ato também é uma forma de denúncia do absurdo da violência em si, da fragilidade da nossa existência e por fim, uma possibilidade para que alguns de nós nos compadeçamos delas, vítima e familiares.

Susan Sontag analisou criticamente a distância que o nosso olhar estabelece com as vítimas de uma atrocidade registrada pela fotografia. Ela escreveu, na coleção de ensaios Sobre Fotografia (Companhia das Letras): "O choque das atrocidades fotografadas se desgasta com a exposição repetida (...)" e mais adiante: "O vasto catálogo fotográfico da desgraça e da injustiça em todo o mundo deu a todos certa familiaridade com a atrocidade, levando o horrível a parecer comum (...)".

Sontag poderia ter abordado, com igual paixão, a via inversa, o efeito contrário da fotografia (seja a de uma mãe sofrendo a perda de um filho, seja o retrato de uma criança sorridente, em uma matéria que ilustre o final trágico de sua própria existência, ou a foto de um massacre brutal). Se tais fotos podem fazer com que, a exemplo dela, nos sintamos "irremediavelmente aflitos, feridos (...)" sentindo que "algo morreu, algo ainda está chorando", também resgatam nossa humanidade; fazem com que nos emocionemos com a dor do outro; e eventualmente – graças a ela, a fotografia – derramemos algumas lágrimas por alguém que nunca conhecemos e jamais vamos conhecer.

* Artigo publicado originalmente no Observatório da Imprensa

A profecia do Sr Eastman

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"A máquina fotográfica é um espelho dotado de memória, porém incapaz de pensar." (Arnold Newman)


Ao criar o slogan “você aperta o botão e nós fazemos o resto”, usada para alardear a primeira máquina fotográfica realmente portátil, a câmera-caixãozinho Brownie, o inventor George Eastman inconscientemente estava prevendo o próprio futuro da fotografia, muito além do que naquele momento ele poderia supor: ao mesmo tempo em que inaugurava a democratização do ato de fotografar, ele o valorizou...e o desvalorizou (!).

Antes que alguém pense tratar-se de um paradoxo produzido depois de eu haver “bebericado algumas cervejas, seguidas de alguns chopps”, explico: a partir da Brownie e das máquinas que a seguiram, tornou-se possível a qualquer um fazer o que antes apenas os “alquimistas” que lidavam com daguerreótipos, câmaras escuras e substâncias como albumina e magnésio, podiam fazer, ou seja, obter e reproduzir fotos.

Qualquer pessoa, repito, passou a ser criadora do ato fotográfico – até hoje, quem faz uma fotografia mal consegue esconder o orgulho pelo seu produto ao receber o menor elogio, tenha sido a foto feita numa máquina digital de último tipo ou em uma “câmera amadora” (neste ponto caberia questionar: é a máquina ou a fotografia por ela produzida que poderia ser chamada de “amadora”? Afinal, o processo físico/químico das velhas câmaras escuras permanece o mesmo! E uma foto obtida em 1880 pode manter-se tão impressionante e atual em qualidade quanto aquela feita há menos de 10 minutos...).

Em meio a essa utopia democrática da fotografia, poucos parecem dar o devido valor ao ato fotográfico, atribuindo o resultado ao que a tecnologia faz. PQP será tão difícil entender que a câmera e a objetiva “último tipo” somente facilitam a produção da foto, mas não apertam o disparador, nem selecionam a imagem que vai para o sensor CCD ou o filme 35 mm?! Quem a faz é o olhar, mas disso ninguém lembra, nem sequer quando admira e compara atentamente uma seqüência de fotos 3x4 numa mesa de bar ou tão logo é alvo de uma fotografia produzida numa câmera digital - depois de exclamar “deix’eu ver” - corre em direção do fotógrafo para ver como “ficou na foto”.

A câmera digital é a Brownie do século XXI e provavelmente, do século XXII. Ela veio proporcionar a liberdade da câmera-caixão do início do século XX, sem que precisemos lidar com produtos químicos, salas escuras, filmes velados, o fedor do flash de magnésio ou tenhamos que compreender o mecanismo da fixação da imagem. A digital é a “além-Brownie”. No entanto - e tão de acordo com o sistema do capital que a produz (reparem na nauseante quantidade de modelos de câmeras e recursos existentes) – a fotografia é apenas um item em meio a várias funções acopladas, entre elas, a eternamente sedutora possibilidade de “fazer vídeos”.

Mas parece-me que o recurso de “gravar” ou “fazer” vídeo das modernas câmeras digitais vem ganhando terreno acima de sua função de foto, pelo menos entre os leigos. E no caso dos aparelhos de celular mais modernos, o “fazer foto” no mais das vezes, permanece limitado ao flagrante do acidente brutal ou da fugacidade da foto que serve de “papel de parede” para o visor do celular, e que será trocado no instante seguinte.

Ainda em relação ao vídeo, a sucessão de imagens em movimento herdeiro do cinema, não pode capturar da mesma maneira o instante eternizado na foto e que dá sentido a esta. Ninguém faz vídeo 3x4 ou 10x15 para colocar na moldura (a menos que seja personagem da série Harry Potter), tampouco usa a câmera digital como filmadora para pensar depois no significado manifesto ou subjetivo de cada “frame” da gravação. Quem faz - na maioria das vezes vídeos tosquinhos - numa digital espera somente um clímax, no conjunto animado de imagens – a queda de uma pessoa, o a explosão de uma bomba, o disparo de uma arma ou o acidente de trânsito. No vídeo, o que contará nas imagens é o auge daquela seqüência, o que nem sempre ocorre em relação ao produto fotográfico.

Ela, a fotografia, pode ter atingido o auge da “democratização”, mas assim como a democracia na política e na vida social precisa ser compreendida para receber a merecida importância, o devido conhecimento do processo por trás de uma fotografia – de acordo com a estética ou o sentido que se busca imprimir - é fundamental para a valorização do olhar de quem está por trás do visor da câmera, seja este óptico ou LCD, tenha sido a foto feita numa câmara escura “buraco de agulha” ou em uma máquina de “trocentos” megapixels.

*Jornalista (jeancarlos_correa@hotmail.com)

Sobre fotojornalismo e esquizofrenia social

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Ao clicar a atividade do poder ilegal na sociedade, o fotojornalista sem dúvida corre risco

Guillermo Planel¹

Diante de estados paralelos implantados pela força, de arbitrariedades praticadas por adolescentes pesadamente armados e drogados, quase sempre mandantes que impõem sua lei em comunidades da periferia, tudo isso aliado ao descaso das políticas públicas sociais praticadas pelos vários âmbitos governamentais e legalmente desacreditadas pela maioria da população, o trabalho do fotojornalista como testemunha de um processo social em conflito, muitas vezes traz um dilema não apenas ético, mas profissional no sentido de até onde se arriscar e quanto vai valer essa imagem na publicação do jornal, se é que ela vai ser publicada na próxima edição.

No confronto, alguns fotógrafos da imprensa são as testemunhas designadas para registrar fatos derradeiros, crueldades e injustiças praticadas por poderes não-oficiais e ilegais, contra a sociedade de uma forma geral e contra a comunidade carente de uma forma direta. O fotógrafo que arrisca a vida ao fotografar o confronto armado entre facções, entre máfias urbanas contra a polícia, na maioria de suas incursões de registro, seu trabalho geralmente é odiado pela comunidade, na maioria das vezes incomoda a polícia, e sempre será perseguido pelo tráfico.

Todos esses processos de denúncia e intervenção são conhecidos e aceitáveis dentro do preconceito que se encerram neles mesmos. Porém, existe uma situação na profissão, que poucas vezes é comentada: o desconforto que esse trabalho provoca perante vários colegas de profissão. No momento em que um profissional de jornal é pautado para registrar um confronto armado, ele em primeiro lugar se prepara psicologicamente para entrar no inferno em breves minutos e, a partir disso, estará exposto a toda sorte de conseqüências com o seu trabalho.

Há pouco tempo, fotos de traficantes armados em uma comunidade do Rio saíram sem crédito do autor da foto em um grande jornal carioca. No meio profissional, a autoria das fotos foi prontamente reconhecida pelo estilo de fotografar do autor, apesar de não constar o crédito na imagem publicada. Nesse momento o jornal está tentando preservar a identidade e a segurança do profissional, já que ele terá de voltar na mesma comunidade, sem saber se será no dia seguinte, em uma semana ou em um ano e, quem sabe, repetir mais uma vez a ousadia de registrar o ilícito, frente a frente, mostrando ao leitor com fidelidade o fato ocorrido, sem manobras ou ajustes.

Ao clicar a atividade do poder ilegal na sociedade, o fotojornalista não está agradando a nenhum envolvido nesse ato, inclusive com possibilidades de vingança imediata, o que, sem dúvida, gera risco. Há quem acredite que esse tipo de registro pode vir a expor outros profissionais involuntariamente a situações de retaliação por parte de bandidos, policiais ou milícias participantes dessa triste realidade. Até mesmo o fotógrafo e o jornalista que registram outros aspectos e fatos da comunidade que não sejam conflitos, podem se sentir expostos à violência por parte de quem se sente ofendido com o registro de suas ações nessas comunidades.

Há quem diga que isso na realidade é a disputa pelo melhor ângulo, pela melhor foto, pela possibilidade da primeira página, o que isoladamente não justificaria o risco e tornaria o fato banal, contrariando fortemente o propósito do registro daquele momento. Ainda mais quando o jornal deixa de publicar excelentes fotos por outros diversos motivos.
Outra realidade nos mostra que devemos ter consciência de que no registro de conflitos armados não existe a possibilidade do jornalista ficar no meio entre os dois pontos do confronto. Ao se posicionar atrás da polícia, o fotojornalista está validando uma atitude de sobrevivência por determinação do próprio poder paralelo, sabendo que o tiro também pode vir pelas costas.

O registro fotográfico de conflitos armados no Rio de Janeiro é um dos poucos processos de conflitos no âmbito mundial onde a esquizofrenia como forma social é determinante no dia-a-dia do trabalho. Com isso, queremos explicar que o fotógrafo sai todo dia de sua casa, passa pela redação do jornal e mergulha em uma guerra civil que não é sua, cobre essa guerra e é cruelmente exposto à violência, à morte sumária e é duramente criticado por sua atuação. É a ida do inferno ao céu em questão de segundos, do bem ao mal em um clique da máquina, do justo ao injusto em uma fechada de pálpebras.

É nesse tipo de comportamento que a esquizofrenia social, se é que existe, se representa através da dualidade de comportamento não desejado pelo individuo que está participando do processo. Diferente de outros teatros de guerra, no Rio de Janeiro o fotógrafo sai diariamente de sua casa, da segurança de sua família, de seus filhos, seus maridos, suas esposas, para ir direto ao estômago do inferno, registrar a crueldade imposta à uma comunidade que invariavelmente não gostaria de se ver exposta naquela situação, e voltar à noitinha, se perguntando se aquela foto que ele registrou de uma criança sendo carregada no colo, no meio de um intenso tiroteio, pelo pai, com o aviso pichado no muro para que os moradores da comunidade não saiam em dia de guerra, vai ser publicada no jornal ou não, valendo a pena ou não ter feito o registro.

Sem dúvida nenhuma, ao analisar mesmo que superficialmente esses assuntos e suas variantes, percebemos que a única verdade plausível é que neste mundo cão, muita gente briga e ninguém tem razão. O registro visual dos fatos, de alguma forma, tenta minimizar esta realidade.

¹Guillermo Planel é fotojornalista e autor do documentário Abaixando a máquina – Ética e dor no fotojornalismo carioca.
Disponível em Portal Photos

Pode a fotografia transformar a sociedade?

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Por Francisco Lopes Filho*
Foto: Associated Press

A fotografia é uma linguagem universal que pode passar sentimentos, emoções e revolta que muitas vezes não podem ser transmitidos por palavras. Quando fotografamos passamos a observar as pessoas e a natureza de uma maneira diferente, e nossa visão do mundo se transforma, se torna mais sensível.


©Teerão, Irã, 2009 - AP

Às vezes uma imagem pode denunciar fatos importantes ou até mesmo contribuir para a solução – desencadeamento - de um conflito. Foi através de fotos feitas pela força aérea norte-americana durante a guerra fria, em 1962, que os Estados Unidos descobriram bases de mísseis soviéticos instaladas em Cuba. Esse acontecimento quase provoca um conflito armado entre EUA e a então União Soviética.

Durante a guerra do Vietnã, imagens chocantes, principalmente a foto de uma garota correndo nua e com o corpo cheio de queimaduras provocadas pelo bombardeio americano feita pelo fotógrafo Nick Ut, da Associated Press, sensibilizou a opinião pública mundial e de modo especial, a americana, fazendo com que os governantes optassem pelo fim do conflito.

Com o advento da fotografia digital, podemos ver os acontecimentos mundiais quase que em tempo real. Durante a guerra do Iraque viamos todos os dias pela internet, jornais e revistas as fotos dos bombardeios das forças de coalizão, que mostravam a destruição e o sofrimento da população civil, principalmente crianças e idosos.

Possivelmente essas fotos feitas no Iraque sensibilizaram pessoas do mundo inteiro, que como sabemos protestaram muito, para que as forças anglo-americanas parassem os bombardeios e suspendessem aquele indesejável conflito.

Em junho deste ano, o presidente do Irã, Mahmood Ahmadi-Nejad que governa desde 2005 foi re-eleito sob suspeitas de fraudes nas eleições. Milhares de jovens iranianos saíram às ruas de Teerã, capital do país em protesto onde travaram com o exército, verdadeiras batalhas, sendo que em uma dessas , foi morta a estudante de 23 anos Neda Agha Soltan. Toda a revolta que durou vários dias, foi documentada por fotógrafos clandestinos e pelo próprio povo, usando câmeras de telefones celulares. As fotos assim obtidas, percorreram o mundo através da internet, jornais e TVs, causando grande comoção.

Esses acontecimentos demonstram o poder que tem a fotografia. E se com este poder, não transformar a sociedade, pode ser uma grande aliada neste processo, que deve nascer em cada um de nós, todo dia, para que transformações realmente efetivas, e sempre, para o bem, aconteçam.


*Francisco LOPES Filho é fotógrafo e Engenheiro Agrônomo com mestrado em Agronomia pela Universidade Federal do Ceará.