Imagens sonoras

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Por Luis Osete

© Daniel Wolff e João Pedro - Foto de Silvana Costa

João Pedro Borges e Daniel Wolff. Dois violões. Duas trajetórias diferentes que, desde o dia primeiro de maio, se encontraram para a apresentação de uma retrospectiva musical brasileira, por meio do projeto “Sonora Brasil”, iniciativa do SESC.

Como se cumprissem uma maratona pelos palcos brasileiros, os dois compositores, arranjadores e violonistas saíram do sul, passaram pelo sudeste, centro-oeste, norte e, para compor o caleidoscópio musical, desembarcaram no nordeste, onde, segundo João Pedro, “o público é mais caloroso”.

E, por falar em calor, o último concerto regido pela dupla, em Pernambuco, veio atravessar o marasmo musical da noite de quinta-feira (30). Da margem esquerda do Velho Chico, João Pedro e Daniel Wolff partem para Alagoas e Bahia, cumprindo as 81 apresentações previstas na primeira das quatro etapas do “Sonora Brasil”.

Depois de finalizar o concerto do SESC Petrolina fazendo uma homenagem a Ernesto Nazareth, o bem-humorado Daniel Wolff, primeiro brasileiro a defender uma tese de doutorado em música, concedeu entrevista ao MAGEM:

© Daniel Wolff - Foto de Cecílio Bastos

MAGEM – Como se deu a sua formação musical?

Daniel Wolff – Eu fiz minha graduação em Montevidéu (Uruguai), depois fiz mestrado e doutorado em Nova York (Estados Unidos). Passei num concurso para professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), onde trabalho. Fui professor-visitante da Universidade de Arte de Berlim, na época em que morei na Alemanha. E, paralelamente à carreira acadêmica, gravei discos, fiz trilha para cinema, trabalhei como arranjador...

MAGEM – Já tem quantos CD’s lançados?

DW – Meus, uns cinco. Mas tenho participações em discos de outros músicos ou músicas minhas que gravaram...

MAGEM – Como surgiu o convite do SESC?

DW – Eu acho que foi por conhecerem meu trabalho. Os artigos que publico. Já publiquei vários artigos em revistas especializadas, daqui, da Alemanha, Inglaterra, Estados Unidos. Eles [SESC] queriam alguém que pudesse tocar e também fazer essa parte pedagógica. Falar sobre as peças, explicar um pouquinho...

MAGEM – A gente percebe que há essa preocupação. Explicar cada música...

DW – Isso está na determinação sonórica. A gente não pode só tocar, mas também falar sobre as peças. Tem um forte componente pedagógico, didático, no projeto.

MAGEM – Como você entende a música enquanto função pedagógica? A arte pode ser usada como uma forma de educação?

DW – A arte é usada. Muito usada como educação. O desenvolvimento da educação musical no Brasil está bastante alto, tanto que eles [MEC] aprovaram na nova Lei de Diretrizes e Bases, que deve valer a partir de 2012, a obrigatoriedade da música nas escolas. Estão aumentando os cursos voltados para a área de educação musical, como os cursos de licenciatura em música, que tem uma grande procura em todas as universidades do Brasil. Ao ponto de não conseguir suprir a demanda. Os cursos de Educação à Distância surgiram justamente para poder formar professores de arte à distância, com pólos espalhados em todo o Brasil.

MAGEM – Você tem acompanhado o trabalho da música nas escolas de ensino médio e fundamental?

DW – Sim. Teve uma época em que aula de música era comum nas escolas. Algo que sumiu dos currículos, está voltando agora. E eu percebo que nos países desenvolvidos a educação musical está presente desde o início, já no ensino básico. Vai levar alguns anos pra gente começar a colher frutos, mas certamente vai remeter num maior senso de cidadania, e responsabilidade social.

© João Pedro - Foto de Cecílio Bastos

© João Pedro - Foto de Silvana Costa

© João Pedro e Daniel Wolff - Foto de Cecílio Bastos

A força de uma

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© Foto de Oded Balilty - The Power of One, 2007

Esta fotografia foi capturada pelo fotógrafo Oded Balilty em 2006. Trata-se de uma judia tentando conter o exército israelense que expulsava colonos ilegais da Cisjordânia. A imagem foi a grande vencedora do Prêmio World Press Photo e do Prêmio Pulitzer, em 2007.

Oded Balilty nasceu em 1979, em Jerusalém, Israel. Durante o serviço militar, aprendeu noções básicas de fotografia e atuou como fotógrafo para o jornal Defense Force. Após o serviço, Oded passou a trabalhar para a agência ZOOM 77 e para o jornal Yedioth Ahronot.

Em 2002, entrou para a Associated Press, em Jerusalém, cobrindo eventos como a Cimeira da OTAN em Istambul e manifestações pós-eleitorais da Ucrânia, em 2004.

Magem lança seu primeiro concurso universitário

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Com o objetivo de estimular o uso da linguagem fotográfica de caráter jornalístico e valorizar produções desse tipo no curso de Jornalismo, o Mural Galeria Fotógrafo Euvaldo Macedo Filho (MAGEM) cria o seu primeiro concurso universitário: Seis da IX.

As seis melhores fotos mensais, julgadas pelos membros do MAGEM, serão divulgadas aqui no blog da Galeria. Além disso, as imagens selecionadas no período de quatro meses irão compor a nona exposição do MAGEM e última deste ano. O fotógrafo que conseguir expor o maior número de fotos ganhará o livro Euvaldo Macedo Filho: Fotografias.

A expectativa é colaborar para visualização dos trabalhos fotográficos no âmbito jornalístico produzido pelos universitários e revelar novos talentos no fotojornalismo.

Os interessados devem efetuar sua inscrição através do endereço de e-mail galeriadefotografia@gmail.com a partir de 1º de agosto. Os candidatos poderão concorrer com até cinco fotografias por mês. Será emitido certificado de participação para os fotógrafos que tiverem suas imagens selecionadas para mostra. A inscrição no concurso implica na aceitação integral do regulamento. O concurso é aberto a estudantes de jornalismo de todo o Brasil.


REGULAMENTO

1. Os participantes devem ser alunos regularmente matriculados no curso de Jornalismo de qualquer instituição de ensino superior (enviar o número da matrícula no corpo do e-mail);
2. Cada participante pode inscrever, no máximo, cinco fotografias por mês;
3. As fotos podem ser digitais e/ou convencionais, preto e branco ou colorido, com resolução mínima de 150 dpi;
4. Processamentos digitais são aceitos em casos de: acertos de exposição, contraste, brilho, saturação, matiz, nitidez e resize. Fotos com nítidas montagens e alterações drásticas (como a remoção ou inclusão de elementos) serão desqualificadas;
5. As fotografias devem ser enviadas com as seguintes informações: título, local e data de produção da imagem;
6. A inscrição no concurso declara que o participante autoriza o uso das fotos em exposições e outros eventos ou meios de divulgação;
7. O envio da(s) foto(s), implica na aceitação integral deste regulamento;
8. As inscrições no concurso poderão ser feitas de 1º de agosto a 30 de novembro de 2009;
9. As fotos serão selecionadas pelos integrantes do Mural Galeria Fotógrafo Euvaldo Macedo Filho;
10. A responsabilidade de utilização de todo ou qualquer bem de titularidade de terceiros, protegido pela legislação de direitos autorais, cabe inteira e exclusivamente aos fotógrafos participantes.
11. A inscrição é gratuita e o envio é através do endereço de e-mail do Mural Galeria Fotógrafo Euvaldo Macedo Filho.
12. O não cumprimento de quaisquer das regras deste regulamento poderá causar, a critério dos organizadores, a desclassificação da fotografia e do participante. O ato da inscrição neste concurso implica na aceitação de todos os itens deste regulamento.

MAGEM participa da Semacom

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© Sala cheia para discutir fotojornalismo - Foto: Cecílio Bastos

O Mural Galeria Fotógrafo Euvaldo Macedo Filho (MAGEM) continua circulando e a última parada, antes da próxima exposição no Campus III da Universidade do Estado da Bahia, foi em Conceição do Coité (BA), durante a II Semana de Comunicação da Uneb (Semacom).

No evento, promovido pelo Campus XIV da Uneb, o Projeto MAGEM realizou palestra sobre fotografia jornalística, ministrada pelo professor e fotojornalista Flávio Ciro, e expôs um compacto da mostra "Canudos 100 anos", do fotojornalista Evandro Teixeira.

Uma dúvida inquietante

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© Foto de Robert Capa - “Morte de um miliciano”. Espanha, 1936

Uma das mais emblemáticas fotografias de guerra de todos os tempos continua gerando polêmica.

Em meados de julho deste ano o jornal espanhol El Periódico publicou um estudo sobre a mítica foto da Guerra Civil Espanhola, intitulada “Morte de um miliciano”, capturada em setembro de 1936, pelo fotojornalista Robert Capa.

O artigo sustenta a tese de que tudo não passou de uma armação. Segundo o Jornal, Robert Capa fotografou aquele soldado em um local onde não houve combate, a aproximadamente 50 quilômetros de distância, próximo à cidade de Espejo. De acordo com o El Periódico, a pesquisa foi baseada em estudos sobre sequências de fotografias.

Por outro lado a matéria do Jornal não explicita outros fatores já mencionados no decorrer dos tempos. Um deles é que o soldado foi identificado pelo seu irmão mais novo e a morte do miliciano encontra-se registada nos arquivos de Madrid e Salamanca. E nestes, menciona-se a identidade, o local, o dia e a hora da morte: Federico Borrell García, 24 anos, Cerro Muriano, Córdoba, 5 de setembro de 1936, cinco da tarde.

Outro ponto em favor da veracidade da imagem é a opinião de especialistas forenses que indicam um detalhe significativo: a posição inerte da mão esquerda. De acordo com os peritos, mesmo que a queda tivesse sido encenada, seria improvável que o soldado, por reflexo, não esticasse os dedos de forma a amparar a queda com a palma da mão – em vez disso, a mão fica junto à perna esquerda, os dedos dobrados para dentro. Tal acontece porque o homem já está morto no momento em que a foto é tirada.

A versão segundo relatos de Capa

O fotógrafo chegou a comentar o episódio com a fotojornalista alemã Hansel Mieth, dizendo sentir-se atormentado. Mieth afirma também que Capa ficou perturbado para o resto da vida.

A história diz que o que se passou naquela tarde de 5 de setembro de 1936 começou por ser, de fato, uma encenação: os milicianos republicanos fingiam estar em situações de combate enquanto Capa ia tirando fotografias.

Enquanto os soldados "brincavam disparando as armas” (expressão do próprio Capa), tropas leais a Franco aproximaram-se. No momento em que Capa fotografava um soldado em pose, tiros de metralhadora fizeram-se ouvir.

O que ficou então captado para a posteridade foi o exato momento em que uma bala atingiu a cabeça do soldado, matando-o instantaneamente. Teria o soldado sobrevivido àquela guerra se não fosse o ato de pousar para uma fotografia? O sentimento de culpa seguiu o fotógrafo eternamente.

“A gosto da fotografia”

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© Foto de Pierre Verger - Imagem compõe a mostra “À Procura de Um Olhar”

A capital baiana volta a sediar o já consagrado festival “A gosto da fotografia”, um dos mais expressivos e criteriosos projetos sobre fotografia no Brasil.

O curador de Fotografia da Pinacoteca de São Paulo, Diógenes Moura chega a Salvador/BA nesta quarta-feira para acompanhar os últimos preparativos do festival, que acontece em cinco espaços da cidade, entre os dias 31 de julho a 13 de setembro.

Em sua quinta edição, o festival renova parceria com a Pinacoteca do Estado de São Paulo e promete movimentar o panorama cultural da cidade com mostras inéditas de fotógrafos brasileiros e estrangeiros.

O Palacete das Artes inaugura o evento com a abertura da exposição “À Procura de um Olhar – fotógrafos franceses e brasileiros revelam o Brasil”, com cerca de 100 imagens - mostra que integra o Ano da França no Brasil. No mesmo espaço também poderá ser vista a obra do fotógrafo baiano e grande homenageado Voltaire Fraga.

Completando o projeto estarão Vânia Toledo, Ieda Marques, Marc Dumas e Sérgio Benutti, além de palestras, entrevistas e exibições de filmes que ocuparão alguns dos mais importantes espaços culturais da cidade.

Para maiores informações acesse o site do festival aqui.

Fique de olho!

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Três prêmios de abrangência internacional nos quatro primeiros meses deste ano: Word Press Photo, Photographers Giving Back (PGB) e National Press Photographers Association (NPPA). O MAGEM destaca a fotografia do fotojornalista argentino Walter Astrada.


© Walter Astrada/AFP - Conflitos no Quênia, 2009

Retrato: Neil Alden Armstrong

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Lançada em 16 de julho de 1969, a Apollo 11, em quatro dias, levou os primeiros astronautas à Lua. Entre eles, Neil Alden Armstrong, o homem que testou mais de 900 tipos de aeronaves durante a década de 1950.

O 40º aniversário da missão espacial Apollo 11 está sendo comemorado desde a última quinta-feira (16) no Cabo Canaveral e o MAGEM expõe o retrato de Armstrong, produzido pelo fotojornalista Flávio Ciro em matéria para Revista Veja na década de 1980.



© Neil Alden Armstrong, década de 1980 - Foto Flávio Ciro

Jornal espanhol desvenda circunstâncias da morte de Gerda Taro

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© Foto gentilmente cedida por Fernando Cambronero. Aníbal Gonzalez (à esquerda), com um camarada russo.

Está desvendado mais um mistério da Guerra Civil espanhola: o homem que matou acidentalmente a fotógrafa Gerda Taro, pioneira do fotojornalismo e companheira de Robert Capa, e acabou com uma das mais prometedoras carreiras da fotografia moderna, chamava-se Aníbal González e tinha na época cerca de 19 anos. A identidade do condutor do tanque que atropelou a fotógrafa e as circunstâncias exatas do acidente eram desconhecidas até o momento.

Elas foram reveladas recentemente ao diário espanhol “El País” por Fernando Cambronero Tornero, sobrinho de Fernando Plaza. Tornero conservou a memória oral e as fotografias do tio, falecido há cinco anos.

Na tarde de 25 de Julho de 1937, na brutal confusão da retirada republicana em Brunete, debaixo do fogo da aviação de Franco, Gerda Taro – que trabalhava para o “Ce Soir”, caiu do automóvel em que ela estava dependurada e foi atropelada acidentalmente por um tanque T-26 russo do exército republicano. Gerda Taro apesar de esmagada foi levada ao hospital inglês de El Goloso, onde faleceu na madrugada do dia seguinte, seis dias antes de completar 27 anos. Aníbal González, o condutor do tanque, natural de Albacete, não percebeu e continuou o seu caminho. Foi o seu amigo Fernando Plaza, que conduzia outro tanque, que viu perfeitamente a horrível cena. Algum tempo depois, já fora da zona de combate, quando os tanques se preparavam para formar uma segunda linha defensiva, Plaza disse a González: "Esmagaste a francesa!".

Fonte: El País

Pode a fotografia transformar a sociedade?

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Por Francisco Lopes Filho*
Foto: Associated Press

A fotografia é uma linguagem universal que pode passar sentimentos, emoções e revolta que muitas vezes não podem ser transmitidos por palavras. Quando fotografamos passamos a observar as pessoas e a natureza de uma maneira diferente, e nossa visão do mundo se transforma, se torna mais sensível.


©Teerão, Irã, 2009 - AP

Às vezes uma imagem pode denunciar fatos importantes ou até mesmo contribuir para a solução – desencadeamento - de um conflito. Foi através de fotos feitas pela força aérea norte-americana durante a guerra fria, em 1962, que os Estados Unidos descobriram bases de mísseis soviéticos instaladas em Cuba. Esse acontecimento quase provoca um conflito armado entre EUA e a então União Soviética.

Durante a guerra do Vietnã, imagens chocantes, principalmente a foto de uma garota correndo nua e com o corpo cheio de queimaduras provocadas pelo bombardeio americano feita pelo fotógrafo Nick Ut, da Associated Press, sensibilizou a opinião pública mundial e de modo especial, a americana, fazendo com que os governantes optassem pelo fim do conflito.

Com o advento da fotografia digital, podemos ver os acontecimentos mundiais quase que em tempo real. Durante a guerra do Iraque viamos todos os dias pela internet, jornais e revistas as fotos dos bombardeios das forças de coalizão, que mostravam a destruição e o sofrimento da população civil, principalmente crianças e idosos.

Possivelmente essas fotos feitas no Iraque sensibilizaram pessoas do mundo inteiro, que como sabemos protestaram muito, para que as forças anglo-americanas parassem os bombardeios e suspendessem aquele indesejável conflito.

Em junho deste ano, o presidente do Irã, Mahmood Ahmadi-Nejad que governa desde 2005 foi re-eleito sob suspeitas de fraudes nas eleições. Milhares de jovens iranianos saíram às ruas de Teerã, capital do país em protesto onde travaram com o exército, verdadeiras batalhas, sendo que em uma dessas , foi morta a estudante de 23 anos Neda Agha Soltan. Toda a revolta que durou vários dias, foi documentada por fotógrafos clandestinos e pelo próprio povo, usando câmeras de telefones celulares. As fotos assim obtidas, percorreram o mundo através da internet, jornais e TVs, causando grande comoção.

Esses acontecimentos demonstram o poder que tem a fotografia. E se com este poder, não transformar a sociedade, pode ser uma grande aliada neste processo, que deve nascer em cada um de nós, todo dia, para que transformações realmente efetivas, e sempre, para o bem, aconteçam.


*Francisco LOPES Filho é fotógrafo e Engenheiro Agrônomo com mestrado em Agronomia pela Universidade Federal do Ceará.

Entrevista com o fotógrafo-filósofo Marcos Cesário

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"Minha busca é pelos valores"

Por Louise Farias
Fotos: Emerson Rocha

O fotógrafo–filósofo Marcos Cesário conta um pouco da experiência e dos conhecimentos obtidos durante a produção das fotos da exposição “Enquadrados”, no Conjunto Penal de Juazeiro durante o primeiro Semestre desse ano. Cesário revela a troca e as redescobertas que houve entre ele e os internos durante os cinco dias em que esteve em contato direto com os presos.




Louise Farias - Como você definiria a Exposição “ENQUADRADOS”?

Marcos Cesário - Um auto-retrato. Uma fotógrafa norte americana diz que todo retrato é um auto-retrato, então essa exposição é uma forma de me retratar. Não consigo ver diferença em qualquer outro trabalho que eu tenha feito. Eu, Emiliana Carvalho e Maisa Antunes entramos lá para nos rever neles. Então pra mim é muito tranquilo a identificação. Me vejo neles, é uma forma de me retratar . Por um acaso eles tiveram um pouco menos de sorte que eu; por enquanto.


LF - O que te levou a escolher essa temática?

MC - O filósofo do meu coração é Oscar Wilde e há uns cinco anos, em contato com um livro dele, me deparei com um fragmento que me chamou muito atenção e dizia: “dentro de nós o tempo não prospera, regressa”. Conversando com Maisa, eu vi que o Conjunto Penal de Juazeiro poderia ser uma concretização desse desejo. A idéia é tentar mostrar com os retratos e com o curta-metragem essa humanidade e essa linha imaginária e estéril.




LF - Como artista qual o seu olhar sobre o público retratado? Sua visão mudou no decorrer do trabalho?

MC - Não, porque eu tento me munir muito pouco de princípios, minha busca é pelos valores. Oscar Wilde disse: “eu prefiro muito mais as pessoas a seus princípios”. Os princípios criam uma barreira e a gente acha um dentro e um fora, quando na verdade você deve buscar os valores e não os princípios adentro. Com a execução desse trabalho eu criei novas relações, e, é claro, a minha dimensão e o meu olhar se apurou muito mais, mas não radicalmente porque nós não entramos lá com nenhum preconceito. Até porque lá dentro tem reflexo de tudo aqui fora e vice-versa.


LF - Que tipo de intervenção o público retratado teve na construção dessa obra? Qual foi a contribuição dos internos?

MC - Foi completa, é um retrato e um auto-retrato. Então a troca de sentimentos e de redescobertas juntos foi o ganho maior. Agora existe uma intervenção deles que é quanto à moldura, foi uma produção deles, que é também uma forma de enquadrar o fotógrafo. Cada uma tem a sua personalidade na moldura, é uma forma deles dizerem: “olha só, nós temos nossa forma, nosso gosto, nosso enquadramento”. A contribuição maior foi sem dúvidas a de viver com eles cinco dias, na sela, comendo com eles, sonhando com eles e chorando com eles. E isso aconteceu de fato. Isso é um trabalho documental, é uma forma de investigação íntima, nós nos encontramos lá dentro, essa é a maior contribuição como homem, como mulher e ser humano.

Prorrogadas as inscrições para o concurso de fotografia da Diocese de Petrolina

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As inscrições para o concurso de fotografia em comemoração aos 85 anos de Jubileu da Diocese de Petrolina foram prorrogadas para o dia 24 de julho.

Com o tema “Diocese de Petrolina, 85 anos de História”, o concurso é voltado para universitários regularmente matriculados nas instituições de ensino.

As melhores fotos vão participar de uma exposição no Congresso Diocesano em Agosto de 2009 e no River Shopping em data a ser definida. As três melhores fotos vão ser premiadas respectivamente com 1 notebook, 1 máquina fotográfica digital e 1 celular.

As inscrições do concurso são gratuitas. Os interessados podem se inscrever na Assessoria de Comunicação (Ascom) da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), no campus Petrolina, de segunda a sexta-feira, de 8h às 12h; na Central de Atendimento Discente (C.A.D) da Faculdade de Ciências Aplicadas de Petrolina (Facape) de 15h às 18h, e na Secretaria Geral da Faculdade de Formação de Professores de Petrolina (FFPP) de 14h às 20h.

Exposição "Enquadrados"

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O princípio básico da liberdade humana - norteador das sociedades - tem suas limitações como única forma de assegurar outros direitos importantes. O conceito de liberdade individual não está relacionado, apenas, ao direito de ir e vir, mas, principalmente, a todas as possibilidades de ação do indivíduo. A vida carcerária é apreendida pelos internos como uma forma natural de adaptação ou mesmo de sobrevivência dentro de tal sistema.

As sensações e o cotidiano de quem vê anos a fio o sol nascer quadrado poderão ser conferidas a partir da próxima sexta-feira (10/07) na abertura da exposição Enquadrados. Uma mostra fotográfica, composta de 20 imagens, produzida pelo fotógrafo Marcos Cesário, no Conjunto Penal de Juazeiro/BA, durante o primeiro semestre desse ano.

Enquadrados, aludindo à enquadramento fotográfico, no qual compõe-se a fotografia e à orientação, no sentido de punir. As fotografias revelam as dualidades, a redenção pessoal e a esperança daqueles reclusos.

Com a curadoria da professora Maisa Lins e coordenada pelo Mural Galeria Fotógrafo Euvaldo Macedo Filho (MAGEM), a abertura da mostra será realizada na Biblioteca da Universidade do Estado da Bahia (UNEB), em Juazeiro, com a exibição do vídeo que conta o trabalho de pesquisa e a construção das fotografias.


Enquadrados
Abertura: dia 10 de julho, às 19h
Visitação: de 10 a 24 de julho de 2009
Onde: Biblioteca da Universidade do Estado da Bahia
Endereço: Avenida Edgar Chastinet, S/N – São Geraldo
Departamento de Tecnologia e Ciências Sociais – Campus III – Juazeiro.
Horário: de segunda a sexta, das 8h às 22h; aos sábados, das 8h às 18h.
Entrada gratuita
Maiores informações, entre em contato: galeriadefotografia@gmail.com

Robert Capa

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Em fevereiro desse ano de 2009 inauguramos a exposição "Robert Capa: fotojornalismo nas trincheiras". Para relembrar a obra de um mito do fotojornalismo mundial, publicamos nesse domingo uma foto do Capa, capturada em Madrid, no ano de 1936.

©Madrid, 1936 - Robert Capa

Fotografia derruba Ministro em Portugal

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© Foto de Nuno Ferreira Santos. O gesto que o Ministro da Economia dirigiu a um deputado comunista no plenário da Assembléia da República causou a sua demissão.


A fotografia do gesto que levou à demissão do Ministro da Economia de Portugal Manuel Pinho estampou as primeiras páginas de praticamente todos os jornais portugueses na última semana. O gesto que ele dirigiu ao deputado comunista Bernardino Soares no plenário da Assembléia da República causou indignação no país. O Jornal de Notícias, por exemplo, publicou a foto na sua primeira página sob o título "Manuel Pinho perde a cabeça e o cargo".

Concurso "O Céu do Brasil" anuncia vencedor

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O concurso fotográfico "O Céu do Brasil", promovido pela Fundação Planetário em parceria com a Secretaria Municipal de Cultura e o Ministério da Ciência e Tecnologia, já tem um vencedor.

A foto de Flávio Varricchio foi aclamada pelo júri como a grande vencedora. O resultado foi publicado hoje no Diário Oficial do Município e as fotos classificadas, mais a vencedora já podem ser vistas no Flickr da Fundação Planetário em: http://www.flickr.com/photos/fundacaoplanetario/show/

O concurso, realizado com o objetivo de comemorar o Ano Internacional de Astronomia, foi um grande sucesso e contou com a participação de fotógrafos profissionais e amadores de todo o Brasil. Foram mais de 200 participantes que mostraram em fotos o céu dos quatro cantos do Brasil.

O júri formado por profissionais renomados de fotografia, como Evandro Teixeira do Jornal do Brasil, Alcyr Cavalcanti da AFORC (Associação Profissional dos Repórteres Fotográficos e Cinematográficos do Rio de Janeiro), José Carlos Diniz, José Linhares e o diretor de astronomia da Fundação Planetário, Fernando Vieira, se reuniu na última semana do mês de junho e chegou a um consenso sobre a foto vencedora.

Varricchio usou um recurso de astrofotografia que consiste em apontar a câmara fotográfica para o pólo celeste e fazer várias exposições sucessivas. Com isto, consegue-se captar o movimento de rotação da Terra em torno do seu eixo. Neste recurso fotográfico, os astros não aparecem na foto como pontos, mas sim como traços luminosos mais ou menos longos.

A foto vencedora e as 49 melhores farão parte de uma exposição que será inaugurada em agosto no Planetário da Gávea, Rio de Janeiro.

Fonte: ARFOC-RJ