MAGEM apresenta: Orlando Brito – "Corpo e Alma"

3 comentários

© Orlando Brito - "Zé e Zefa"

Para quem imagina um Orlando Brito focado na temática da política nacional, encontrará em cartaz no MAGEM, um fotojornalista diferente. Em seu trabalho Corpo e Alma, publicado em 2006, Brito surpreende com a exploração de espaços diversos, valorizando o ser humano em sua mais divina existência e modo de sobreviver.

O caráter documental do trabalho está nas minúcias, no emaranhado de detalhes e na concepção autoral de cada fotografia. Sai de cena o retrato político e entra o humano em sua mais bela expressão de corpo e alma. Seja na força do olhar, seja na intimidade da introspecção, o que pulsa das imagens é essencialmente a mensagem projetada em cada indivíduo.

© Orlando Brito - "Falcão Negro"

Tecnicamente o que mais chama atenção nas fotografias é a ousadia do fotógrafo na utilização plena do contraste. A luz é o outro elemento trabalhado com maestria por Brito, gerando uma textura nas imagens que impressiona sempre com os detalhes.

A exposição, selecionada a partir do livro de mesmo nome da mostra, é composta por 24fotografias e permanecerá aberta para visitação até o dia 20 de agosto, no Departamento de Ciências Humanas, da UNEB, em Juazeiro.

Exposição:
Orlando Brito – Corpo e Alma
Aberta ao público:
de 01 a 20 de agosto de 2009
Onde: Universidade do Estado da Bahia – DCH III
Endereço: Avenida Edgar Chastinet, S/N, São Geraldo – Juazeiro/BA
Horário: de segunda a sexta, das 14h às 22h. Sábado, das 14h às 18h
Entrada gratuita
Mais informações entre em contato: galeriadefotografia@gmail.com

© Orlando Brito - "Yaualapiti"

Divulgado os vencedores do concurso de fotografia da Diocese de Petrolina

11 comentários

Tema: "Diocese de Petrolina, 85 anos de História"
Categoria: Livre

A comissão do concurso de fotografia organizado em comemoração a festa de Jubileu da Diocese, revelou as 3 fotografias premiadas.

Foram mais de 60 trabalhos inscritos, avaliados de acordo com a adequação ao tema, a criatividade no olhar, a qualidade do material e a apreciação subjetiva dos julgadores.

Os estudantes de Jornalismo em Multimeios da Universidade do Estado da Bahia (UNEB), Cecílio Bastos e Ilana Copque, foram premiados com a primeira e a terceira colocação respectivamente. A segunda colocação ficou com a estudante de Ciências Sociais, Eliane Ferreira, da Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF).


© 1ª colocação / "Reza" - Foto: Cecílio Bastos

© 3ª colocação / "Zeladora" - Foto: Ilana Copque

Sobre fotojornalismo e esquizofrenia social

3 comentários

Ao clicar a atividade do poder ilegal na sociedade, o fotojornalista sem dúvida corre risco

Guillermo Planel¹

Diante de estados paralelos implantados pela força, de arbitrariedades praticadas por adolescentes pesadamente armados e drogados, quase sempre mandantes que impõem sua lei em comunidades da periferia, tudo isso aliado ao descaso das políticas públicas sociais praticadas pelos vários âmbitos governamentais e legalmente desacreditadas pela maioria da população, o trabalho do fotojornalista como testemunha de um processo social em conflito, muitas vezes traz um dilema não apenas ético, mas profissional no sentido de até onde se arriscar e quanto vai valer essa imagem na publicação do jornal, se é que ela vai ser publicada na próxima edição.

No confronto, alguns fotógrafos da imprensa são as testemunhas designadas para registrar fatos derradeiros, crueldades e injustiças praticadas por poderes não-oficiais e ilegais, contra a sociedade de uma forma geral e contra a comunidade carente de uma forma direta. O fotógrafo que arrisca a vida ao fotografar o confronto armado entre facções, entre máfias urbanas contra a polícia, na maioria de suas incursões de registro, seu trabalho geralmente é odiado pela comunidade, na maioria das vezes incomoda a polícia, e sempre será perseguido pelo tráfico.

Todos esses processos de denúncia e intervenção são conhecidos e aceitáveis dentro do preconceito que se encerram neles mesmos. Porém, existe uma situação na profissão, que poucas vezes é comentada: o desconforto que esse trabalho provoca perante vários colegas de profissão. No momento em que um profissional de jornal é pautado para registrar um confronto armado, ele em primeiro lugar se prepara psicologicamente para entrar no inferno em breves minutos e, a partir disso, estará exposto a toda sorte de conseqüências com o seu trabalho.

Há pouco tempo, fotos de traficantes armados em uma comunidade do Rio saíram sem crédito do autor da foto em um grande jornal carioca. No meio profissional, a autoria das fotos foi prontamente reconhecida pelo estilo de fotografar do autor, apesar de não constar o crédito na imagem publicada. Nesse momento o jornal está tentando preservar a identidade e a segurança do profissional, já que ele terá de voltar na mesma comunidade, sem saber se será no dia seguinte, em uma semana ou em um ano e, quem sabe, repetir mais uma vez a ousadia de registrar o ilícito, frente a frente, mostrando ao leitor com fidelidade o fato ocorrido, sem manobras ou ajustes.

Ao clicar a atividade do poder ilegal na sociedade, o fotojornalista não está agradando a nenhum envolvido nesse ato, inclusive com possibilidades de vingança imediata, o que, sem dúvida, gera risco. Há quem acredite que esse tipo de registro pode vir a expor outros profissionais involuntariamente a situações de retaliação por parte de bandidos, policiais ou milícias participantes dessa triste realidade. Até mesmo o fotógrafo e o jornalista que registram outros aspectos e fatos da comunidade que não sejam conflitos, podem se sentir expostos à violência por parte de quem se sente ofendido com o registro de suas ações nessas comunidades.

Há quem diga que isso na realidade é a disputa pelo melhor ângulo, pela melhor foto, pela possibilidade da primeira página, o que isoladamente não justificaria o risco e tornaria o fato banal, contrariando fortemente o propósito do registro daquele momento. Ainda mais quando o jornal deixa de publicar excelentes fotos por outros diversos motivos.
Outra realidade nos mostra que devemos ter consciência de que no registro de conflitos armados não existe a possibilidade do jornalista ficar no meio entre os dois pontos do confronto. Ao se posicionar atrás da polícia, o fotojornalista está validando uma atitude de sobrevivência por determinação do próprio poder paralelo, sabendo que o tiro também pode vir pelas costas.

O registro fotográfico de conflitos armados no Rio de Janeiro é um dos poucos processos de conflitos no âmbito mundial onde a esquizofrenia como forma social é determinante no dia-a-dia do trabalho. Com isso, queremos explicar que o fotógrafo sai todo dia de sua casa, passa pela redação do jornal e mergulha em uma guerra civil que não é sua, cobre essa guerra e é cruelmente exposto à violência, à morte sumária e é duramente criticado por sua atuação. É a ida do inferno ao céu em questão de segundos, do bem ao mal em um clique da máquina, do justo ao injusto em uma fechada de pálpebras.

É nesse tipo de comportamento que a esquizofrenia social, se é que existe, se representa através da dualidade de comportamento não desejado pelo individuo que está participando do processo. Diferente de outros teatros de guerra, no Rio de Janeiro o fotógrafo sai diariamente de sua casa, da segurança de sua família, de seus filhos, seus maridos, suas esposas, para ir direto ao estômago do inferno, registrar a crueldade imposta à uma comunidade que invariavelmente não gostaria de se ver exposta naquela situação, e voltar à noitinha, se perguntando se aquela foto que ele registrou de uma criança sendo carregada no colo, no meio de um intenso tiroteio, pelo pai, com o aviso pichado no muro para que os moradores da comunidade não saiam em dia de guerra, vai ser publicada no jornal ou não, valendo a pena ou não ter feito o registro.

Sem dúvida nenhuma, ao analisar mesmo que superficialmente esses assuntos e suas variantes, percebemos que a única verdade plausível é que neste mundo cão, muita gente briga e ninguém tem razão. O registro visual dos fatos, de alguma forma, tenta minimizar esta realidade.

¹Guillermo Planel é fotojornalista e autor do documentário Abaixando a máquina – Ética e dor no fotojornalismo carioca.
Disponível em Portal Photos

Woodstock 40 anos

4 comentários

© Foto de Burk Uzzle - Woodstock, 1969

Milhares de mentes voltadas para dois sentimentos: a paz e o amor. Uma legião jamais vista. Foram mais de 300 mil pessoas na maior manifestação do movimento hippie. O Festival de Woodstock realizado pela primeira vez em Bethel (EUA), na década de 60, celebra nesse mês de agosto 40 anos.

Em meio àquela histórica e pacífica celebração estava o fotógrafo Burk Uzzle. Ao invés de documentar a música, Uzzle optou por se concentrar em detalhes da vida. Foram três dias de trabalho fotográfico regido na perspectiva de um participante. Ao escolher esse caminho, o fotógrafo captou o espírito da festa e, sem dúvida, de uma era.

Burk Uzzle começou a trabalhar aos 14 anos, teve seu primeiro emprego de fotógrafo em tempo integral aos 17 anos de idade. Alguns anos depois, se tornou o mais jovem contratado da revista LIFE. Por duas vezes foi eleito presidente da Agência Magnum.

Mais fotos de Burk Uzzle:





Rio de Janeiro recebe a World Press Photo

3 comentários

© Foto de Luiz Vasconcelos

A mais importante exposição do fotojornalismo mundial está no Brasil. Até o dia 23 de agosto, a Caixa Cultural, do Rio de Janeiro, abre as portas para a Mostra Internacional da World Press Photo.

O objetivo é mostrar em 196 fotos os acontecimentos marcantes de 2008 no universo da política, da natureza, da economia, do esporte e da cultura.

Desde maio a mostra percorre o mundo. Até dezembro serão 61 cidades, em um total de 37 países e média de dois milhões de pessoas que acolheram esta exposição. O Rio de Janeiro é a primeira cidade da América Latina que recebe o evento.

Exposição World Press Photo 2009
Onde: Caixa Cultural - Av. Almirante Barroso, 25 - Centro, próximo ao metrô Estação Carioca
Quando: Até 23 de agosto - terça a sábado, 10h às 22h; domingo, 10h às 21h
Quanto: Entrada franca

EU: isso de mim

4 comentários


Poema e foto: Jaquelyne Costa*

Um toque
a luz corre
marca, petrifica
e eu fico ali
eternizada no papel.
Terei para sempre aquela idade
aquele rosto
aquela roupa
terei para sempre a atmosfera
que me guardava de mim
que me extravasava de mim
saltava de meus olhos
curiosos, em busca de redescobertas.
Um toque
a luz vem ao meu auxílio
e minha imagem escorre de mim
ficarei arrecadada como se tivesse
essa enorme necessidade de ver
que um dia fui essa que hoje
por enquanto ainda sou.
Tentativas, poses,
cores, partes,
todos,
e eu vou sendo construída
como se nunca eu houvesse
como se agora eu vivesse
surgisse de repente
naquela luz que corre
naquela máquina que clica.
Eu sou o meu melhor retrato
das coisas que eu perco e refaço
de mim.
Eu sou aquela matéria viva
que morre, cresce e solidifica
reerguendo-se inteiramente
sem faltar sequer uma estilha.
Eu sou aquilo que eu quero ser
e o que não posso também.
Por vezes sou azul, outras rosa, amarela
preta e branca, contrastada propositadamente.
Eu sou aquelas várias incidências de luzes,
ângulos obtusos, aparências angulosas.
Eu sou apenas isto:
retração luzidia de mim.

Jaquelyne Costa é estudante de jornalismo e poetisa.