Entrevista | Mariana David

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Mariana David
© Jonas Grebler

O MAGEM conheceu Mariana David na segunda edição dos Salões Regionais de Artes Visuais da Bahia, em Juazeiro/BA. A jovem artista visual contou um pouco de sua história e falou de fotografia para o Blog.

Curriculum fornecido pela fotógrafa:

Mariana David, 26 anos, graduou-se em Direito, estudou Antropologia e largou tudo para se dedicar à Fotografia. Hoje, trabalha profissionalmente como fotógrafa há cerca de um ano. Neste tempo, participou de algumas exposições em Salvador, juntamente com outros jovens fotógrafos baianos e realizou uma exposição individual: "Olha-se de novo, Olha-se!". A mostra aconteceu na Galeria Pierre Verger como fruto de um edital realizado pela Fundação Cultural do Estado da Bahia. Em 2009, foi selecionada para expor no Salão Regional de Artes Visuais da Bahia, em Juazeiro/BA, com o trabalho "Mergulho", que também foi contemplado com o Prêmio Fundação Cultural do Estado da Bahia. Além de realizar seus trabalhos autorais, Mariana David fotografa espetáculos de dança e teatro, editoriais de moda e stills para cinema. Atualmente, vive e trabalha em Salvador/BA.

Mergulho
© Mariana David

MAGEM: Como você começou na fotografia?

MARIANA DAVID: Venho de uma família que gosta muito de registrar todos os eventos familiares. Cresci cercada por álbuns de fotografia e tendo que fazer pose para as câmeras. Desde pequena, sempre levava minha máquina para a escola e para as viagens com os amigos. Eu era a "fotógrafa" oficial da turma. Sempre gostei muito de arte e ir à exposições de fotografia sempre foi um prazer imenso. Meu primeiro contato com um trabalho profundo de fotografia foi com o do Pierre Verger, numa das muitas exposições dele aqui em Salvador. Fiquei encantada com a possibilidade de registrar lugares desconhecidos, modos de vida tão diferentes do meu, que, para mim, se encaixa muito bem com a fotografia. Então, em 2006, comprei uma Nikon analógica com uma 50mm e comecei a fotografar tudo: os amigos, os amores, a cidade, pirações minhas, minha família. Sempre tive muitas dúvidas sobre qual seria o meu caminho no mundo e costumo dizer que não escolhi a fotografia, ela me escolheu e tornou-se inevitável ser outra coisa além de fotógrafa.

Jiquiriçá Azul
© Mariana David

MAGEM: Quais as suas influências dentro da arte fotográfica?

MARIANA DAVID: Mudam a todo momento. Tem os clássicos que, para mim, são fundamentais para entender a fotografia: Ansel Adams, Richard Avedon, Diane Arbus, Andre Kertesz. Gosto muito da ousadia do Man Ray e da coragem de Nan Goldin. Adoro o Jan Saudek, que assume a fotografia como arte. Atualmente, estou encantada com o trabalho do Antoine D´Agata, que é um fotógrafo da Magnum que realiza um trabalho super intenso. No Brasil, gosto muito do trabalho do Luiz Braga, do pessoal de Minas - Pedro David e João Castilho; da Bahia curto o trabalho do Mário Cravo Neto, Jonas Grebler e Valéria Simões. Gosto do Eustáquio Neves, que tem um trabalho lindíssimo com fotomontagens. Tem muita gente boa pelo mundo, produzindo fotos maravilhosas.

Jiquiriçá Azul
© Mariana David

MAGEM: Qual a sua maior dificuldade na edição de um trabalho?

MARIANA DAVID: Editar é uma arte, já dizia um amigo meu. Uma boa edição exige um bom conhecimento de sua obra, muito estudo, é necessario ver muitas e muitas fotos, para compreender que toda fotografia expressa uma idéia, uma visão, um sentimento. A grande dificuldade, que eu acho, é a de reunir um número suficiente de fotos, de um determinado tema, que consigam transmitir com uma grande intensidade o que o fotógrafo quer contar ao mundo. Alcançar essa intensidade e profundidade é o mais difícil e desafiador.

She came in through the bathroom window
© Mariana David

MAGEM: Photoshop, como você avalia a manipulação digital?

MARIANA DAVID: Manipulação de imagem e fotografia sempre caminharam juntas. A fotografia começou com muitas experiências dentro do quarto escuro. Desde o início, os fotógrafos alteravam as suas imagens no processo de revelação, seja expondo uma determinada área mais à luz, ou escurecendo uma parte da foto. Muitos fotógrafos geniais fizeram manipulações nas suas imagens, como o Jerry Uelsmann (que realizou fotomontagens belíssimas), o Jan Saudek (que coloria manualmente as suas fotos) e o Eustáquio Neves. Não sou contra o Photoshop: ele funciona como um laboratório de revelação virtual e serve à diferentes propósitos.

She came in through the bathroom window
© Mariana David

MAGEM: Uma frase?

MARIANA DAVID: Quero citar uma frase que traduz muito o que sinto nesse momento: "Não é o modo como um fotógrafo olha para o mundo que é importante e sim a relação íntima que estabelece com ele." - Antoine D´Agata.

© Mariana David

Outras imagens, através da galeria virtual da artista no Flickr.

Salão de Artes premia fotografia

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Mariana David - "Mergulho"
© Flávio Ciro

A jovem fotógrafa da cidade de Salvador/BA, Mariana David, foi a grande vencedora da segunda edição dos Salões Regionais de Artes Visuais da Bahia, etapa Juazeiro.

Dentre esculturas, instalações, pinturas e audiovisual, a fotografia de Mariana se destacou em meio aos diversos gêneros presentes na mostra.

O evento foi aberto na última sexta-feira (21), no Centro de Cultura João Gilberto e prossegue até o dia 4 de outubro.

Em breve, a artista visual, Mariana David, estará comentando um pouco do seu trabalho aqui para o MAGEM.

Salões Regionais de Artes Visuais da Bahia:
De 22/8 a 4/9
Horário(s): 8 às 22h (ter a sex)
Ingresso: Entrada franca
Local: Centro de Cultura João Gilberto
Endereço: Rua José Petitinga s/n – Stº Antônio - Juazeiro/BA
Telefone: (74) 3611-4322

Repassando...

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O blog Olha, Vê, do fotojornalista Alexandre Belém, publicou nesta segunda-feira uma entrevista que vale a pena conferir.

Eder Chiodetto
© Alcir Silva

Entrevistando | Eder Chiodetto

EDER CHIODETTO [...] a função do repórter-fotográfico nas redações. Cada vez mais burocrática, mais sem espaço para publicar reportagens fotográficas, menos viagens, mais retratos de celebridades e menos fotografia que revela os bastidores do país, mais fotos de assessorias, cada vez menos jornal e mais publicidade. Tem alguém aí para negar tudo isso?

E eu sou bicho fotógrafo. Adoro reportagem, adoro jornal. E por gostar é que sou obrigado a ver como as coisas estão se encaminhando e criticar. Mas também acho que toda crise é positiva. Estamos vivendo um momento de mudança de paradigmas. Esse velho modelo morreu. Os espaços são outros, os fotógrafos serão outros. Há vida inteligente nos blogs cada vez mais e nas redações cada vez menos. Vai sobreviver o fotógrafo que tiver autonomia cultural, idéias, histórias para contar. Até porque as fotos de grande impacto, dos acidentes, das enchentes, das catástrofes e de tudo que acontece sem estar agendado, é privilégio do taxista, do motoboy, da dona de casa, do açougueiro, de quem estiver com o celular mais perto da cena. Fotógrafo de jornal só faz agenda, pauta fria.

Que sentido tem então ficar dentro de uma redação esperando alguém para dizer qual é a história que você tem que fotografar? Enfim, só vai sobreviver neste mercado quem conseguir se diferenciar da massa. E fotógrafos profissionais não devem mais pensar como fotojornalistas, mas sim como fotodocumentaristas. Reflexão, profundidade, conhecimento, please!!!!!! Foto bonita, foto espetacular, foto de furo no dia a dia, creiam, todos os amadores estão fazendo o tempo todo. Essa nova leva de fotógrafos mais bem formados que começa a cavar novos espaços com determinação e talento, logo constituirão grupos, coletivos, serão patrocinados e será através deles que a fotografia vai voltar a ser, na mídia, a linguagem que dá as cartas, que pauta, que emociona, informa, humaniza [...]

Confira a entrevista completa no link http://www.olhave.com.br/blog/?p=3099.

"[...] aquelas simpáticas cores brilhantes você dá-nos [...]"¹

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© Afegã Sharbat Gula, 1984 - Fotografia de Steve McCurry captada com diapositivos Kodachrome

Já se passaram dois meses do fim da produção do Kodachrome. Foram 74 longos anos deste filme que eternizou imagens memoráveis no século XX. Entre elas, muitas capas da National Geographic.

Foi o Kodachrome que popularizou as fotos coloridas, com precisão e sutileza na variação de cores. Não se pode dizer que foi uma surpresa, já que a fotografia digital se popularizou tanto nos últimos anos, adquirindo precisão nas imagens, qualidade de reprodução, agilidade e economia no processo de revelação.

Enquanto as câmeras digitais e celulares permitem selecionar a imagem antes de revelar e fazê-la em poucos minutos, um rolo de Kodachrome tinha que ser enviado aos Estados Unidos e aguardar 14 dias para ver o resultado.

Cada vêz mais, a experiência de fotografar é diferente. Está migrando do artesanal de colocar o filme na máquina para o automático de nem ter máquina. Saca-se o celular de 8MP do bolso e faz a foto.

O que você acha desta nova maneira de fotografar? As inovações dos equipamentos contribuiram para o aperfeiçoamento do modo de se fazer fotografia? Deixem seus comentários.

Para celebrar o fim da produção dos rolos Kodachrome a Kodak criou uma galeria com um conjunto das melhores fotos tiradas com este tipo de rolo. Acesse aqui!

¹Trecho da música "Kodachrome", de Paul Simon.

Primeiro WPP da história

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© Mogens von Haven - Queda de motociclista durante corrida, 1955

Fotografia que venceu o primeiro World Press Photo da história, em 1955. A imagem foi capturada durante o Campeonato de Motocross da Dinamarca, em 28 de agosto de 1955, pelo fotógrafo Mogens von Haven.

Haven conseguiu retratar o exato momento da queda de um competidor e por pouco não foi atropelado pela motocicleta.

A voz da experiência

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Evandro Teixeira
© Flávio Ciro

No dia mundial da fotografia, o fotojornalista Evandro Teixeira marcou presença no MAGEM e contribuiu com algumas sábias palavras:

Sobre a fotografia...

[Evandro Teixeira] A fotografia, representa uma forma de entender o mundo, de se relacionar com a vida. Também, de mostrar as suas realidades, ou mostrar a realidade do mundo, de maneira visual.

Imagem que mais impressiona...

[Evandro Teixeira] Miliciano morto na Guerra Espanhola, de Robert Capa.

Essência do fotojornalismo...

[Evandro Teixeira] Estamos sempre, sempre evoluindo em relação a tecnologia. Antigamente, para transmitir uma foto, levávamos 30 minutos. Hoje, é imediato. Na sua essência, o fotojornalismo, não mudou. O importante, ainda é, contar e mostrar a sua realidade.